2 de julho de 2007

1. Você vai para uma festa cinza.

Primeiramente tenho que descrever o que significa o termo cinza, então lá vou eu tentar explicar esse maléfico termo criado pelo pseudo-indie Manso.


O ser humano, desde os tempos mais primórdios, se separa por grupos com o qual tem mais afinidades. O problema, é que alguns seres não sabem ainda a qual grupo eles pertencem, assim, se misturando entre todos os grupos, mas no final das contas o grupo desses seres é o grupo dos cinzas. Aquela pessoa que não fede nem cheira pros demais grupos, está lá apenas para preencher uma vaga ou entreter um grupo por um momento. Ele não é preto nem branco, é CINZA.
Quer saber se você conhece um cinza ?! Pergunte pra pessoa de que tipo de música ela gosta. Se ela disser que é eclético, ela é cinza.
Pronto, acho que deu para entender.(ou deu sem entender mesmo?)

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Eu tava deitado na minha confortável cama assistindo Exorcismo de Emily Rose quando o cover me liga e diz que não tem nada de bom para fazer. Para não panguar em casa, iríamos para a festa junina do intelectus e que já tinha nego conhecido lá dentro e tudo mais. Pensei comigo "Já sei que não vou filar nenhuma boca rosada, então por pior que a festa esteja, vou tomar meu vinho vagabundo e dançar um forro". Ok, tomei um banho, me arrumei e fui-me para a suposta festa junina. Chegando na entrada esbarrei com umas pessoas me olhando de cabo-a-rabo como se eu fosse de outro mundo ou tivesse invadindo alguma espécie de território contestado. Depois de 5 minutos eu descobri pq tinham me olhado maneira estranha... eu não estava uniformizado. O uniforme dos homens era uma bermuda com o nome da marca bem explícito, um tenis reef ou tão caro quanto e uma camisa unicolor escrito Volcom ou marcas desse tipo. Porra! O cover não tinha me avisado sobre esse uniforme. Eu fui de calça azul escuro quase preta, um all star branco, uma camisa verde escura e um casaco preto. Eu tava totalmente fora da moda local. Depois de uns 10 minutos tentando procurar o cover ou algum amigo, desisti temporareamente e fui no balcão comprar o meu valioso vinho vagabundo e para a minha surpresa, nao tinha mais vinho. Começou a tocar forró e chamei 3 ou 4 meninas que beiravam os 16 anos para dançar um forrozinho com o papai aqui e me negaram. Após as tentativas frustradas de dançar, eu desisti de dançar forró pelo resto da noite e dei mais uma volta entre as pessoas uniformizadas e achei o cover -que também nao estava uniformizado- rindo com o resto do pessoal. O cover que dança desde que se entende por gente -e sempre faz as pessoas ao redor pararem de dançar para olhar ele dançando- , tava quieto na dele e eu perguntei pq ele nao tava dançando e ele alegou os mesmos motivos que eu. Ótimo, assim eu não seria o único a ficar parado no meio da dance floor. Terminado o forró começa a tocar funk e as meninas que tinham entre 13~16 começam a rebolar. Na mesma hora eu pensei comigo mesmo "Se por ventura eu tiver uma filha, ela vai ser criada com mpb, folk e música clássica". No meio da crianças rebolando surgem 3 pessoas uniformizadas com uns 20 anos fazendo um "passo" em grupo que é mais manjado que vasco vice-campeão. Aquele passo que se encaixa em quase qualquer música. Olhando a cena, lembrei que eu também me sentia o máximo no auge dos meus 15 anos fazendo aqueles passos com meus amigos e todos ao redor olhando. E isso que tava acontecendo, muitas pessoas -inclusive eu- olhando como se fossem "passos" do outro mundo mas não passa de "ir pra frente, voltar, ir pro lado, outro lado, pra frente,...,...". O "dj" falou alguma coisa e ia entrar não sei quem tocando o melhor do House. Bom, eu não gosto desse tipo de música mas é menos pior que funk. Entrou um "dj" e começou a tocar snow patrol -que sempre fez um Indie rock de altíssima qualidade e estava sendo taxado de
House- e no meio do transtorno psicológico que eu estava tendo, eu avisto duas garotas de no máximo 16 anos vestidas iguais a *bisca trancers (no final vou dizer o que é isso)e brincando de malabares. Que eu saiba malabares se usa no circo ou com os palhaços de rave, mas numa FESTA JUNINA eu nunca tinha visto na vida, principalmente quando essa festa junina ta tocando um suposto House. Depois de um set list vergonhoso de um suposto house, o pseudo-dj começa a tocar Trance com uma set list -que até para quem é completamente alienado sobre o Trance, sabe que é uma line porca e cheia de chacota- deplorável, com direito a Skazi e tudo mais. Meia hora depois de escutar a chacota-line up e ver as crianças se sentindo na rave, resolvemos sair de lá e fomos pra casa do Gabi fazer nada e falar coisas idiotas. ->Fim.

Você deve estar se perguntando pq a festa era cinza. A festa era cinza pq tocou de funk à "house". Não tinha como música apenas forró ou música caipira como se espera de uma festa junina.


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Micareraver/Biscatrancer Tipinho que surgiu com força no Rio no último ano, o micareraver é o cara que costumava frequentar micareta pra cheirar lança e beijar tantas vagabundas quanto possível. Como as micaretas foram saindo de moda, descobriu o ecstasy, o ácido e o psytrance e passou a ir a todos os eventos de música eletrônica, fazendo caretas absurdas enquanto se contorce e frita. Pelo menos o ecstasy os deixa mais pacíficos... A biscatrancer, como o nome já indica, é a biscate trancer. Veio do mesmo lugar que o maldito do micareraver, mas agora finge que é fina e faz carão. O que ela quer mesmo é arrumar um bombado pra se esfregar. Sempre com alguma peça de roupa rajada, shortinho minúsculo e botas com saltos inacreditáveis, levam um prêmio por conseguir dançar em cima daqueles troços por várias horas seguidas.

Um comentário:

Lelei - O leão disse...

Ir nesse tipo de festa serve pelo menos como um estudo antropológico. Quando não há mais salvação, só resta observar o comportamento humano, o comportamento cinza.